História

 

São José Esporte Clube (cujo acrônimo é SJEC) é um tradicional clube esportivo da cidade de São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Foi fundado em 13 de agosto de 1933 como “Esporte Clube São José”. Suas cores atuais são o azul anil, o amarelo-ouro e o branco. Seu mascote é uma Águia, conhecida como a “Águia do Vale”.

Fundação e era amadora – Esporte Clube São José
O estopim para a fundação do clube foi um desentendimento entre o esportista e diretor Galiano Alves, e seus companheiros de diretoria da Associação Esportiva São José, antigo clube da cidade. Galiano Alves convidara um jogador do DER (Departamento de Estradas e Rodagens), Nhô Luiz, para integrar a equipe da AESJ em um campeonato de futebol, mas ele acabou sendo desprezado. Chegou a realizar alguns treinos, mas não foi escalado no time principal nenhuma vez. Galiano Alves ficou magoado com a situação e demitiu-se da diretoria da Associação. Sua revolta o levou a procurar alguns amigos mais íntimos a fim de iniciar o trabalho para a fundação de um novo clube, uma agremiação social e esportiva para a cidade. Foi formada uma comissão de quatro esportistas da cidade: O próprio Galiano Alves, Victorio Pulga, Clementino de Oliveira e Pedro Salustiano de Faria. Estes deveriam tomar as primeiras providências para a organização de um novo clube. Após tais acontecimentos, foi fundado o Esporte Clube São José, no dia 13 de agosto de 1933. De um fato aparentemente irrelevante, acabou nascendo um grande time, o qual caberia mais tarde representar o futebol profissional da cidade de São José dos Campos. A sessão de fundação do Esporte Clube São José foi presidida por Galiano e secretariada por Carlos Belmiro dos Santos, num prédio da Rua Sebastião Hummel, região central da cidade, onde foi instalada a primeira sede do clube. Mais tarde o Esporte Clube São José mudou sua sede para a Rua XV de Novembro, nº175. Por proposta do próprio Galiano Alves, foram aprovadas as cores da camisa do Esporte Clube São José: preto e branco. Coube ao esportista joseense Danilo Monteiro, desenhar o distintivo. A primeira mensalidade cobrada dos associados foi de 2 mil réis. Na ocasião dois outros clubes da cidade fizeram fusão com o Esporte Clube São José: o Internacional Futebol Clube e o Klaxon Clube, este somente em 1938, por problemas financeiros. Durante 31 anos, o Esporte Clube São José dedicou-se, na maior parte, ao futebol amador e às suas promoções sociais. Tudo era feito com ordem, disciplina e amor pelo clube. Já nos gramados havia uma grande rivalidade com a Associação Esportiva São José, que anos mais tarde desativou o seu departamento de futebol para construir um clube poliesportivo.


Símbolo do Esporte Clube São José, o Formigão do Vale

Futebol profissional – Esporte Clube São José
O Esporte Clube São José acabou entrando para o futebol profissional em 1957, disputando sua primeira temporada em competições oficiais no Campeonato Paulista – Segunda Divisão. Entretanto, foi a primeira e única participação durante um longo período, que durou até 1964, quando disputou a Segunda Divisão e foi campeão, conseguindo o acesso à Série A3 do ano seguinte. O primeiro gol do São José quando iniciou suas atividades profissionais na Segunda Divisão do campeonato estadual foi marcado por Pedro Bala, no dia 1 de maio de 1964, num jogo contra o Taubaté, que terminou empatado em 1 a 1, aliás essa foi a primeira partida disputada entre as duas equipes. Em 1965 disputando a Série A3, o clube obteve êxito, conquistou mais um título e, consequentemente, mais um acesso, agora para a Série A2 que disputou em 1966. Porém, o Esporte Clube São José esteve inscrito na competição apenas até o ano seguinte (1967), pois em 1968 o atual Estádio Martins Pereira começaria a ser construído, sacrificando o futebol profissional da cidade com o São José, que ficou dois anos desativados depois de pedir licença na Federação Paulista. Antes, o Formigão do Vale mandava seus jogos no estádio da Rua Antônio Saes, em um campo que também levava o nome “Martins Pereira”. O estádio da Rua Antônio Saes tinha arquibancadas de madeira e capacidade para cerca de 5 mil torcedores. Posteriormente foi vendido para a construção do atual.

O São José voltou às atividades em 1970, e em 1972, a equipe foi campeã da Série A2, em um empate fora de casa por 0 a 0 contra o Garça no segundo jogo da final, de forma dramática. O Esporte Clube São José sagrou-se campeão pois havia ganho o primeiro jogo por 3 a 0, no Martins Pereira, gols de Dandô, Xavier e Pedroso do Garça que marcou contra. Naquele ano não houve acesso para a Série A1, com a suspensão da Lei do Acesso, o que gerou protestos em São José dos Campos. A Federação Paulista só ofereceu uma taça e um prêmio em dinheiro, pois era isso o que previa o regulamento naquele ano.

Mudança de nome
Em 1976, houve um fato muito marcante na história do clube. Nesse mesmo ano, o nome da equipe foi alterado: o Esporte Clube São José passou a chamar-se São José Esporte Clube e mudou as cores de sua camisa em dezembro do mesmo ano. Passou a ter como cores oficiais o azul, o amarelo e o branco (cores da bandeira da cidade de São José dos Campos). Como a tradição não se muda, considera-se apenas uma saída estratégica, apenas para fugir das dívidas. A própria Federação Paulista de Futebol considera até o hoje a existência de um único clube, embora tenha sido elaborada uma nova Ata de fundação no dia 24 de dezembro de 1976. A nova fase começou com o presidente Altamirando Negrão Palma, e um novo conselho deliberativo formado por Sampson Rozemblat, José de Castro Coimbra, Pierino Rossi, Clair Aparecido Costa, Sérgio Weiss, João Reis Quaglia, Antonio Peneluppi, Idemauro Alves Palmeiras, Vicenzo Sciamarella, Délvio Buffulin, Pedro Moacir de Almeida, Antonio Pivatto, José Jorley do Amaral, Flávio Trunkl, Luiz Del’Chiaro, Luiz Roberto Porto, Pedro Celestino de Freitas, José Luiz de Almeida, Leopoldo Weiss e Nelson Martins Pereira. E ainda foram escolhidos dez conselheiros suplentes, a saber: Felipe Antônio Cury, Paulo José Simão, Rivadávia Alves Cardoso, Maurício Peneluppi, Cléber Wilson Córdoba Lima, Luiz Antonio Sabonge, Hélio Porgues, Hamilton do Nascimento Freitas, José Nicodemo e Ruberval Bastos.

São José Esporte Clube
Em 1980, o São José Esporte Clube conquistou o título da Série A2, vencendo o Grêmio Catanduvense na final por 4 a 0 e passou à Série A1. O clube esteve na elite do futebol paulista por três anos, até 1983, e em 1984 não participou da competição – retornou ao futebol profissional no ano seguinte, novamente na Série A2. O São José levou mais três anos para conseguir voltar à elite. Em 1987, foi vice-campeão da Série A2 e chegou à Série A1, competição que participou de 1988 a 1993, quando foi rebaixado. De 1994 a 1996 esteve disputando a Série A2 do Campeonato Paulista, competição que credenciou o time novamente à Série A1 de 1997. No ano 2000, o clube foi mais uma vez rebaixado para a Série A2. Em 2003 o clube foi terceirizado e teve seu nome alterado para Esporte São José. No ano de 2004, o Esporte São José caiu para a Série A3, deixou a terceirização e voltou aos moldes tradicionais para atuar na temporada de 2005. Em 2006 já com seu tradicional nome, o São José Esporte Clube conseguiu o vice-campeonato da Série A3 e voltou a disputar à A2 em 2007, divisão que permaneceu até 2014, quando foi rebaixado à Série A3. Disputou o terceiro escalão do futebol paulista em 2015 e 2016, quando foi rebaixado à Segunda Divisão.

Na história deste clube, apelidado de “Águia do Vale”, foram constantes as quedas e ascensões. A primeira vez que o São José teve a chance de estar entre os grandes foi em 1972, com a conquista da Série A2, mas naquele ano o título não dava direito ao acesso. O São José subiu mesmo para a elite do futebol paulista em 1981, após a conquista da Série A2 de 1980 sobre o Grêmio Catanduvense. Em 1981 foi finalista do 2º turno da Série A1. Nos anos seguintes foi rebaixado, e retornou ao primeiro escalão do futebol paulista em 1988. Obteve nesse ano o 4º lugar. O maior feito de sua história foi o vice-campeonato paulista da Série A1, obtido em 1989 – o São Paulo só foi campeão graças a um empate sem gols e uma vitória por 1 a 0 com um gol contra marcado pelo zagueiro André Luís. Nesse mesmo campeonato, o São José eliminou o Corinthians na semi-final por um placar de 3×0, com três gols do atacante Toni. Ainda em 1989, o clube foi vice-campeão Brasileiro da Série B, conquistando assim o direito de participar do tão sonhado Campeonato Brasileiro, em 1990. O último titulo do São José foi a Copa Vale do Paraíba de 1996, vencendo o Aparecida na final.

Hino

Em 1978, Otávio Assis Fonseca Filho compôs o primeiro hino do São José Esporte Clube. A canção teve grande repercussão e foi muito tocada nas rádios de São José dos Campos. Um ano mais tarde, a Rádio Clube (atual Rádio Bandeirantes, AM 1120) anunciou um concurso para oficializar o hino do São José. Otávio Assis venceu o concurso. Em 1980, o hino conquistou de vez a torcida, que decorou a letra para comemorar a subida da Águia para a Série A1 do Campeonato Paulista.

Vai, pelo céu do Brasil,
Vai, nesse azul de anil,
Águia do Vale voou…
Buscando com suas garras mais um gol!

(Gol!)

Vai, glorioso esquadrão
Vai, o grande campeão
Mostrar a todo Brasil
O que é
A sua força e garra
Oh! Grande São José
Você sempre será
Orgulho do País
Contigo São José
Me sinto tão feliz
Nasceu para vitórias
És nato campeão
Orgulho da cidade
E de toda nação
Águia do Vale eu sei,
Terás vitórias mil
Irás sobrevoar
Os campos do Brasil
Não há quem te aguente,
És forte, és varonil
Campeão do meu Brasil…

Escudos
O escudo atual foi inspirado no emblema da cidade de São José dos Campos: A engrenagem dourada simboliza a riqueza e desenvolvimento acelerado do Município. Os treze dentes presentes nela fazem referência ao entrosamento entre o estado e o Município. No interior da engrenagem, de forma concêntrica, um círculo azul faz referência a Bandeira Nacional. Este círculo é atravessado por uma faixa sinuosa em prata que representa o Rio Paraíba do Sul. Ao redor dessa faixa, se encontram três estrelas em prata que representam a cidade e seus dois distritos: Eugênio de Melo e São Francisco Xavier.

O primeiro escudo da história do São José foi o tradicional coração de cinco pontas com faixas pretas e brancas que apresentava em seu topo a sigla “ECSJ” em referência ao nome do clube na época: Esporte Clube São José. Foi desenhado pelo joseense Danilo Monteiro. O segundo símbolo (na foto, da esquerda para a direta) foi utilizado de forma breve (assim como o terceiro) logo após a mudança de nome do time, em 1976. Seu formato era de uma engrenagem de 19 dentes e, diferente dos emblemas seguintes, tinha a coloração azul como predominante. O terceiro é bem curioso, pois além de possuir contornos grossos e rudes com predominância da cor amarela, a engrenagem possuia somente 5 dentes. O quarto emblema é bastante similar com o atual, a única diferença era a quantidade de dentes: 19! Em 2003, com a terceirização e a mudança de nome repentina para Esporte São José, o símbolo mudou, trazendo uma águia ao seu centro e removendo a faixa branca. Todavia, em 2005 quando voltou a se chamar São José Esporte Clube, o tradicional e conhecido escudo voltou, tendo sido modernizado e utilizado uma engrenagem de 13 dentes em sua composição (como na bandeira da cidade).

Mascotes
Até 1976 o mascote do São José era a Formiga devido à quantidade enorme de formigas do tipo içá que voavam pela cidade. A Águia é o mascote oficial do São José desde 1978, na gestão do presidente Laerte Pinto da Cunha. Este animal foi escolhido pois é forte, aguerrido e luta até o fim contra todas as dificuldades. O valor simbólico que a força da ave representaria daquele momento em diante de sua história, motivou a diretoria da época a eleger tal animal como mascote